26 junho 2009

Obrigado pelo vosso apoio

Dia 19 de Junho, sexta feira passada, fui para o hospital de urgência: crises de choro, de pânico, muito desespero e com vontade de destruir a casa toda, como há muito tempo eu não tinha e nem sentia.
Há 3 anos, no dia 09 de Julho de 2006, foi-me (mal) diagnosticado uma depressão, depois de muitas crises que tenho tido desde os meus 15 anos. É triste escrever, mas é a mais pura das verdades. E comento publicamente sem qualquer tipo de vergonha.
Nunca fui a um psicólogo, achava que isto me passaria, apesar dos inúmeros e constantes pedidos de muitas pessoas que presenciavam o meu problema, para consultar esta especialidade.
Depois de 2006, já tive muitas crises destas, fracas, inclusive no trabalho, mas principalmente à noite em casa. Muitas sensações de desmaio, de que o meu coração iria explodir, ataques de desespero, de pânico e principalmente bastantes gritos. E muita, muita solidão. Perdi a conta as vezes que assustei os meus pais e irmão com estes ataques durante a noite, quando morava com eles. Agora que vivo sozinho, os medos dos meus pais e irmão são maiores que os meus próprios medos!!! Como é natural.
Nunca irei esquecer a frase do meu pai no dia em decidi morar sozinho: “De noite, nunca estejas com porta fechada à chave por dentro!”. A melhor indirecta que ouvi até hoje.
Neste momento estou a tomar Xanax e anti-depressivos, talvez para toda a vida…aos 34 anos. Mas também como ando nesta merda de situação na minha vida há 19 anos, não poderia esperar outra coisa.
Fui trabalhar. 3 dias depois, não aguentei e tirei 2 dias de férias para descansar. Vamos a ver se vão ter algum efeito positivo. Dia 1 de Julho vou tentar aproveitar a consulta da minha mãe com a médica de família e ver se ela me pode atender e dar alguma resolução para o meu caso.
Todas as pessoas que sabem deste problema dizem que tenho de enfrentar este caso de uma maneira optimista.
Pois não sei. Estou a tentar com atitudes positivas, mas não esperem milagres. Tal como disse o psiquiatra no hospital, uma recaída é 1.000 vezes pior que uma primeira depressão.
Juro a todos que isto é mais sério do que eu suponha, embora eu sempre achasse que um dia isto iria voltar a acontecer. Razão tem a minha tia ”emprestada”, Dótôra Virgínia, ao afirmar que eu me preocupo demasiado com as coisas. É verdade, mas não sei ser doutra maneira. Já é de família.
Quero agradecer a todas as pessoas que estão verdadeiramente preocupadas comigo e que me estão a dar toda a força possível, não se importando com os meus lamentos. Estão no meu coração e de certeza que serei sempre o primeiro a apoiá-los quando também precisarem de mim.
Quantos ao outros que acham isto tudo uma mariquice ou outra coisa qualquer do género…desejo o melhor para as vidas deles. Tal como há 3 anos, sei bem com quem posso contar. Dispenso os cinismos e o faz de conta que eu não tenho nada de grave.
Se não melhorar, algo de muito radical terei de fazer na minha vida, em todos os sentidos. Apesar de ter inúmeras vezes pensamentos suicidas, primeiro está a minha saúde. Não me vou prejudicar por causa de terceiros.
Um obrigado muito especial ao meus pais que também estão com doenças crónicas, o que também contribuiu para o agravamento do meu problema, e para o xavalinho trintão do meu grande irmão que está sempre presente e disponível quando preciso dele, mesmo de madrugada, como já aconteceu algumas vezes.
Saúde para todos.

07 junho 2009

As luzes!

Fui conhecer o Dolce Vita Tejo com duas amigas: a “12” e a “Meia Dúzia”.
Não desgostei, mas com a crise e os poucos recursos económicos que tem o nosso país de 3º Mundo, acho um exagero aquela construção. Principalmente quando existe o Colombo, o Vasco da Gama, o LoureShopping e o Odivelas Parque, quase "colados" uns aos outros. Adiante.
Quando estávamos a sair do parque de estacionamento, já de noite e a caminho de Odivelas, vinha uma gaja num carro atrás de mim, a buzinar e a fazer sinais de luzes. Achámos estranho. Conversa entre mim e as manas:

Eu - mas o que se passa? A gaja passa-se ou quê?
12 - ela não sabe ver que a estrada tem duas faixas? Nós vamos bem.
Meia Dúzia - realmente, ela não deve saber contar. E continua a buzinar.
Eu – ela se quiser que passe por cima.
12 – e insiste. Ela não vê que estamos a ir na faixa certa?
Meia Dúzia – ela quer dizer qualquer coisa.
Abrando a velocidade do carro, baixo o vidro e digo-lhe, a refilar:
- Isto são duas faixas! Duas!
E gaja respondeu:
- As luzes! As luzes!

Quando reparei…ela estava a avisar-me que eu não tinha ligado as luzes do carro. Andei assim um bom bocado e, se não fosse ela, talvez tinha chegado a Odivelas sem as luzes acesas.
Não sei quem era ela, mas agradeço na mesma.
As minhas amigas, que começaram este festival das duas faixas, gozaram comigo até chegarmos a casa.
Foi a risota total.
Mais um divertido e bom momento que passámos.