19 março 2009

Órina

Fui fazer as habituais análises ao sangue.
A médica de família obriga, o Luisinho obecede. Também é uma vez por ano, logo não me faz mossa.
Até porque não tenho quaisquer problemas em ser picado. A senhora até pediu para eu olhar para o lado enquanto me gamava alguma dose de glóbulos vermelhos e falou comigo para me descontrair, mas eu disse logo a ela que ia olhar porque nunca me fez impressão ver o sangue a sair das veias e nunca tive medo de agulhas.
Só uma vez é que fiz uma birra descomunal para tirar sangue. Tinha 7 anos e foram precisas 4 pessoas para me imobilizarem o braço.
A médica lá me despachou dizendo que eu não tenho boas veias para tirar sangue, mas sim um grande canal, por serem tão grossas! Óptimo, assim não corro o risco de o sangue coagular no meu corpo. Espero.
Mas houve uma coisa que me intrigou. Quando vamos fazer este tipo de análises, temos de levar sempre um xixizinho numa garrafa. Como nunca tenho garrafas, a minha mãe lá tratou de me arranjar um tubo próprio para este tipo de situações. Levei para o posto médico e deixei com a senhora a urina. Mas todo o pessoal que lá estava, utentes, médicos e enfermeiros diziam:

- Trouxe a sua órina?
- Ó menina, tenho de trazer a órina ainda em jejum, não é?
- Queria um frasquinho para fazer a órina, sff.

Pus-me a pensar. Devem dizer “órina” por três motivos:
a) é a nova maneira de se pronunciar a palavra “urina” em Medicina;
b) deve ser uma das 5.000.000 palavras, que eu não vou decorar, rectificadas pelo Novo Acordo Ortográfico;
c) ou então está tudo parvo.

As palavras que esta malta inventa.

1 comentário:

  1. De facto...é como o há-des ver, o prontos, o drógado, enfim...

    Pérolas da nossa bela língua.
    Anda o Camões às voltas no túmulo.

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